Ao Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc

Niterói 11 de junho de 2008

As políticas ambientais têm sido marcadas pelos paradigmas em crise, ainda que a problemática ambiental, em si mesma, venha ensejando novos modos de pensar/sentir/agir. Não é estranho que assim seja, afinal, os paradigmas não pairam acima das relações sociais e de poder que nos constituem. Em outras palavras, os paradigmas são instituídos e, como tal, têm processos e sujeitos instituintes e, por isso, nas políticas ambientais o velho se reveste de novo e, como bom Gattopardo, quer mudar para que tudo fique como está. Entre uma política ambiental meramente punitiva e outra meramente homologatória de projetos desenvolvimentistas ainda hegemônicos apesar de representarem a vanguarda do atraso, haverá que se dar um peso central na política ambiental ao que nos assegure, como nos ensina o lúcido Antonio Gramsci, uma revolução de longo curso que crie no interior da sociedade, desde já, práticas que sejam capazes de ensejar outros valores de (1) justiça socioambiental, (2) de afirmar a participação protagônica (e não somente de ouvido) dos diferentes setores da sociedade e (3) no reconhecimento de que vivemos uma sociedade marcada por relações sociais profundamente assimétricas e, por isso, o Estado deverá estar munido de instrumentos de gestão e mediação de conflitos que sejam capazes de ir além da igualdade formal e ser capaz de atuar no sentido de gerar justiça socioambiental. Isso tudo, Sr. Ministro, implica em dar à Educação Ambiental o lugar estratégico que ela merece para escapar do curtoprazismo que vem caracterizando as políticas, infelizmente, não só as ambientais. A Ex-Ministra Marina Silva com toda sua habilidade política viu a força da vanguarda do atraso dos devastadores de sempre mas nos ofereceu uma idéia débil do que seja a transversalidade da política ambiental. Digo idéia débil, Ministro, não porque se deva ignorar a importância de forjarmos uma política que tenha a transversalidade como principio estruturante, mas porque ignorou que o saber que informa a política setorial não-transversalizada não é simplesmente um saber, mas um saber que é também poder, como nos ensinaram Francis Bacon e Michel Foucault. Para superar isso, Sr. Ministro, é preciso uma visão estratégica e mudar a médio e longo prazos a hegemonia na sociedade e, daí, a educação ambiental se torna estratégica. Sei que o Ministro se encontra no meio de vários processos de transição com diferentes temporalidades desde aquela que diz respeito à mudança na direção do próprio Ministério com o Sr. à frente, como também diante da inconclusa mudança no interior do Ministério com a criação do Instituto Chico Mendes, mudança açodada que nem sequer consultou as pessoas que ocupavam cargos de confiança da própria ex-Ministra. Não deve ser fácil ter que ocupar um Ministério nessas condições em que sequer as funções estão minimamente organizadas bastando observar a confusão, para não dizer omissão, do lugar da Educação Ambiental. Além disso, Sr. Ministro, o próprio governo se vê diante de uma transição de média duração, como diria Fernand Braudel, de um processo de desmonte do estado que estava em curso desde os governos Collor-FHC e que, hoje, se vê obrigado a se reconstituir. Enfim estávamos diante de um processo de terceirização do Estado com a perda do seu papel estratégico através, sobretudo da onguização da política pública que, no MMA, atingiu se clímax. A demonização do Estado como o responsável por todas as nossas mazelas, ainda mais após um período em que o Estado assumira sua cara mais dura sob um regime ditatorial, acabou por legitimar reformas que longe estavam de buscar sua maior ressonância às grandes questões nacionais. Ao contrário, serviu para a des-responsabilização e maior afinidade com novos protagonista da velha face patrimonialista onde um neo-patrimonialismo se faz presente por meio de ONGs que viabilizam parcerias a partir do Estado. O MMA, Sr. Ministro, vem se destacando por essas práticas, inclusive num setor estratégico como a Educação Ambiental. Ocupar um lugar no Estado passou a ser fundamental para que se viabilizem parceiros preferenciais, ainda recobertos com o discurso de que o Estado não é competente. Se nos âmbitos ligados às unidades de conservação de uso direto, sobretudo as Reservas Extrativistas, os movimentos sociais foram capazes de sinalizar para práticas de co-gestão com o Estado, que acredito devam ser estimuladas e aperfeiçoadas como, aliás, os técnicos do Instituto Chico Mendes e da antiga DISAM vinham competentemente desenvolvendo, o mesmo não pode ser dito da Educação Ambiental onde os nexos com a sociedade civil organizada se mostram débeis e mediados por ONGs que impedem um diálogo denso com os movimentos sociais a fim de garantir sua participação protagônica. Há um rico patrimônio de conhecimentos a ser preservado, Sr. Ministro, entre os servidores que vinham há mais de uma década tentando desenvolver uma proposta ousada e consistente de Educação Ambiental na própria gestão ambiental na extinta Coordenação Geral de Educação Ambiental do IBAMA e nos Núcleos de Educação Ambiental de suas Superintendências nos Estados e DF. Esse patrimônio, Sr. Ministro, deve ser apoiado até porque sabe que vivemos numa sociedade marcada por profundas injustiças e por tradições autoritárias que negam o papel positivo que os conflitos têm para uma sociedade democrática. Exatamente por isso, Sr. Ministro, esses técnicos-pedagogos tomaram o conflito como base de uma educação ambiental emancipatória e buscam formar servidores que tenham clareza de seu papel na mediação dos conflitos e, nesse sentido, oferecem uma proposta que tem um caráter estratégico na formação de um Estado que saiba respeitar a cidadania.

Sendo assim, Sr. Ministro, certo do entusiasmo que sempre pautou sua prática política e da sua vontade de que sua passagem no Ministério deixe marcas que se coloquem para além de sua gestão e no sentido de que a questão ambiental se coloque no centro da construção de uma sociedade verdadeira sustentável, porque socialmente justa, com participação democrática protagônica e ecologicamente responsável, é que tomo a liberdade de lhe escrever essa carta aberta tendo como único objetivo lhe alertar para o lugar estratégico da Educação Ambiental na construção desses objetivos.

Carlos Walter Porto Gonçalves

Os bichos que os bichos têm

A riqueza da natureza não se encontra na uniformidade e sim na diversidade, que se realiza dinamicamente pela convivência entre as individualidades. Na multiplicidade de formas, texturas, cores, aromas e sons, a natureza se expressa e reconhece a individualidade como o protagonista deste movimento.

Há quem acredite que o confronto, a guerra seja a melhor maneira de se resolver os problemas resultantes da relação entre os diferentes, entre os heterogêneos. O importante é ser homogêneo, parece que o dito tem sido visto como regra, na era da Globalização.

O trato intestinal dos animais é o cenário onde este dito é a todo instante questionado por seus ocupantes ocasionais e por aqueles que nem tão ocasionais assim, como os que compõem a flora intestinal, estabelecem o importante equilíbrio de forças inerente à vida, uma vez que sem eles a funcionalidade intestinal estaria comprometida. Sabemos que os intestinos formam um tubo que junto do estômago, esôfago e a laringe, levam o alimento para ser digerido e transformado em nutrientes que serão absorvidos e o resíduo eliminado. É neste ambiente que se dá uma verdadeira explosão bioquímica pela ação das enzimas digestivas sobre o alimento ingerido; as proteínas, o amido e as gorduras recebem tratamento diferente tornando-se elementos menos complexos e menores para poder serem assim absorvidos. Nele convivem helmintos, protozoários, bactérias, vírus, fungos, que travam constante disputa em busca da vida, ao mesmo tempo em que contribuem para que a ação digestiva se realize. É a essa constante disputa e negociação para a coexistência, que chamamos de equilíbrio dinâmico do trato gastro-intestinal.

Podemos definir o trato gastro-intestinal como um tubo em constante transformação, um ambiente vigorosamente dinâmico e rico pela característica de seu conteúdo biodiversificado, na multiplicidade e complexidade de formas e nas relações que estabelecem entre si e com o animal que o hospeda. É bom lembrar que estamos falando de uma parte externa ao organismo, tudo o que acontece nos intestinos está fora do corpo, apesar de que em alguns momentos essa distância se apresenta tênue, dado o aumento da intimidade entre o meio interno (organismo) e o externo (luz intestinal) provocado pela natureza do dinamismo de suas trocas.

Existe uma conduta amplamente aceita entre criadores e que muitos veterinários estabelecem como rotina para manter os animais livres de endoparasitos: a vermifugação periódica de duas ou três vezes ao ano, independente de um exame parasitológico. Tal atitude é vista como preventiva. A nossa vontade de tudo dominar nos faz acreditar que possamos manter o controle sobre quem os nossos animais recebem como hóspedes. A adoção do “Revolution”, como medicamento é a manifestação não só do desejo do controle, como também da “revolução” que este controle poderia representar.

Uma vez estabelecido o equilíbrio dinâmico no ambiente intestinal, fruto da relação de forças estabelecida pela existência de diferentes formas de vida coexistindo num mesmo espaço, em nome da prevenção se faz uso de um vermífugo com espectro de ação amplo e administrado, de forma sistemática e periódica, com o poder de destruição inespecífico. Morrem alguns e outros sobrevivem, o estado de equilíbrio conseguido ao longo deste período se desfaz, promovendo uma nova mudança ou transformação na composição de forças na dita fauna intestinal. Um momento peculiarmente delicado se estabelece onde a atenção biodinâmica do organismo se localiza neste nível.

Fica a pergunta: qual o objetivo de uma vermifugação programada? Ora uma modificação neste nível gera um esforço biodinâmico e uma alteração na biodiversidade, que somado a outras tantas intervenções provocadas pela nossa proximidade com os animais, pode por em cheque o equilíbrio do todo. Observe-se que não estamos tratando aqui de uma infestação e sim da presença de um parasito a nível intestinal. O uso regular e periódico de uma determinada substância (vermífugo) com amplo poder destrutivo que visa à destruição de hospedeiros sem que exista a certeza do prejuízo desta presença. Visitante individualizado, se tem como optar pela melhor conduta em cada caso particular, pois sabendo quem, se sabe qual o ciclo que o nosso hóspede realiza, mensura-se assim a dimensão da agressão ou do simples conflito e seu comprometimento para com o todo. Devemos nos permitir este questionamento: o que é melhor para o animal neste momento? Matar seu hóspede? Será que sua presença caracteriza o estado de enfermidade? A doença é a vulnerabilidade, é a condição para a transformação da simples presença de um endoparasito em uma infestação, com todas as suas complicações e desdobramentos, pois ao avaliar que os hábitos de nossos amigos estão longe daquilo que entendemos como higiênico pode-se concluir: animal sem verme não existe. Ao fuçar o chão, nossos amigos reconhecem seus pares, determinam os limites para expressão de sua individualidade. Neste momento temos que voltar a lembrar da natureza do ser em questão, seus hábitos, muitos deles ancestrais, transmitidos por gerações e norteados pela potencialidade de sua individualidade vital em direção aos fins de sua existência, ou seja, sua meta biológica. Para o cumprimento deste objetivo, a natureza prepara cada ser de forma individual dotando-os de um sistema de autoproteção, denominado por Hipócrates de ”vix naturae medicatrix”, pois particular será seu objetivo na vida, sendo assim, singular serão as formas de relações que o mesmo irá estabelecer.

Sérgio De-Filippi

Cuidado, um filhote…

" Ganhei um bichinho! E agora? Não sei o que fazer". A decisão de criar deveria ser sempre uma opção consciente e não um acontecimento repentino e impetuoso. Bem, o fato é que estamos diante de um filhote, que antes de tudo deve ser reconhecido nas suas singularidades: espécie, raça e sexo. Falando assim parece óbvio, mas neste reconhecer está a chave para uma vida saudável e feliz. Desde muito pequeno este ser já é possuidor de uma individualidade, de uma identidade. Quem já não ouviu comentários como este: "- Sempre foi o mais glutão, desde as primeiras horas’. – "O mais simpático e comunicativo ou o medroso e desconfiado e até mesmo aquele brigão que tudo quer".

Criar é assumir a responsabilidade de ajudar esse animalzinho a ser o que ele deve ser. O gato, um verdadeiro felino. O cão, um canino. O verdadeiro amor está neste caso, em reconhecer que transformar este ser num filho, o desvia de sua meta, do seu objetivo de vida, enfim, do motivo pelo qual foi criado. Amar é reconhecer e respeitar a individualidade e a identidade de nosso companheiro. Assim, toda vez que impedimos o animal de expressar sua sexualidade e instintividade­ – o que o desvia de seu destino enquanto espécie e raça – promovemos o rompimento de seu equilíbrio energético e ele adoece. A doença, portanto, não é material na sua origem, ela é o desequilíbrio da força vital, elemento imaterial universal que se manifesta em todos os seres vivos lhes dando forma, identidade e vida. Reconhecer e valorizar a instintividade de nosso filhote é prevenir uma série de enfermidades.

A alimentação deve ser sempre fresca, incluindo os vegetais, as folhas, as frutas, os cereais e as carnes o que farão de nosso amiguinho um adulto forte e saudável. Deverá ser escolhido um veterinário, que nos ajude nesta caminhada junto de nosso novo amigo. Esta escolha deverá ser bastante criteriosa.

A prevenção de enfermidades a partir do uso de vacinas é um assunto delicado. Todas as vezes que vacinamos um ser vivo o adoecemos artificialmente para que o organismo responda com o aumento de células de defesa (hipertrofia do sistema imunológico) trazendo problemas orgânicos indesejáveis e por vezes perigosos. As vacinas são um mal, que podem ser necessárias, pois sabemos que em nosso meio temos uma série de doenças muito nocivas e de grande capacidade propagativa, não só para os animais como para o próprio homem. Justificamos aí o emprego criterioso de vacinas, baseado nas seguintes premissas:

1- não aplicar vacinas simultaneamente, ou seja, não vacinar contra várias doenças ao mesmo tempo, como a óctupla, por exemplo.

2- não vacinar contra doenças inexistentes na sua região.

3- não vacinar animais doentes ou debilitados, mesmo que os sintomas apresentados não sejam orgânicos, como por exemplo, animais muito agressivos ou depressivos.

A relação com um animalzinho é bastante enriquecedora, pois a todo o momento estamos nos confrontando com as diferenças e os limites, podendo assim exercitar nossa sensibilidade e respeito por um ser que ocupa um lugar diferente do nosso na escala biológica, mas não menos importante.

Sérgio De-Filippi



Respeito ao diferente

Animais e os vegetais devem poder ser o que são, ou seja, deve ser assegurado o direito de expressão de suas identidades. O cão ser tratado com dignidade, ou seja, não ser tratado como um filho humano, não ser coisificado por um processo de castração de conveniência; o gato da mesma forma, para viver gordo em cima de uma almofada a vida toda deixando de percorrer os telhados em busca da expressão de sua sexualidade, mesmo que isso lhe provoque algumas feridas, pela disputa das fêmeas; a elas o direito de viverem sua sexualidade, reproduzirem e amamentar, os animais buscam ser felizes! Aos porcos devem ser assegurados seus direitos de fuçar e tomar banho de barro quando está calor; as aves poderem ciscar, preparar ninhos, tomar banho de pó e dormir em poleiros e os bois da mesma forma devem poder pastorear, comer fibras na quantidade que desejarem e amamentarem suas crias. Os vegetais também cumprem os fins para os quais foram criados ao assumirem uma forma, uma textura e uma cor, estabelecendo assim, uma relação particular com o meio onde se encontram, transformando-o na sua relação com a terra (minerais), com a comunidade vegetal que o rodeia, com o ar e com os animais e com toda a microbiota inscrita naquele espaço. Isso é expressão de um ser feliz, ou seja, estado de saúde. Trabalhar para que essa condição se perpetue é pois a verdadeira prevenção. A biotecnologia da manipulação genética, a trangenia é um desrespeito a esses seres; em nome do aumento alimentos, para o combate a fome, assim como foi na Revolução Verde,  com os seus “aditivos” químicos; esse filme trágico eu já vi…

Sérgio De-Filippi

As Saltadoras Vilãs

Bacana!! … você esta novamente infestado de pulgas. O que vou fazer? Esta é uma situação do cotidiano de quem tem animais. Temos acompanhado nos últimos anos, o lançamento de mais duas drogas no combate as pulgas: o Lufenurom, pelo laboratório Ciba Geigy, conhecido informalmente como anticoncepcional para pulgas atuando sob ovos e larvas e o Fipronil, elemento sintético desenvolvido pelo Merial, além de agir em ovos e larvas também elimina as pulgas adultas.

Com mais esses dois produtos de última geração, está declarada pois, uma sofisticada guerra química contra os milhares de pequeninos ectoparasitas saltadores. E com um invejável esquema estratégico: afinal, as novas drogas somam-se ao conhecido arsenal de venenos aplicados em nossos amigos de quatro patas, sob a forma de coleiras, shampoos, talcos, sabonetes,…Os organo-fosforados e piretróides, que são os mais usados nas fórmulas anti-pulgas dos produtos veterinários, têm ação adulticida, ou seja, matam por contato direto as pulgas adultas. No entanto, a Ciba e a Merial, juram de pé juntos que tanto o Lufenurom quanto o Fipronil são atóxicos para os animais e para o meio ambiente.

No meio desta batalha, sangrenta para as pulgas e intoxicante para os animais, gostaria de abrir um espaço de questionamento. Sacrificando as pulgas, responsabilizando-as pela infestação, estamos atacando o efeito – e não a causa. Quando presenciamos um animal infestado, estamos diante de um ser dente e desequilibrado. A doença é a vulnerabilidade ao ectoparasita. Não é concebível acreditar que um animal que esteja em boa condição física e emocional, e cuja expressão instintiva esteja sendo respeitada, se deixe infestar por pulgas.

Quando provocamos o pulguenocídio ou o carrapatocídio no animal infestado, não resolvemos o problema da vulnerabilidade. A doença continua a se desenvolver e se expressar por meio de uma nova infestação pelo mesmo, ou por outro ectoparasita e, até mesmo, por outro sintoma qualquer. A doença é o desequilíbrio da força vital, elemento imaterial universal que se manifesta em todos os seres vivos lhes dando forma, identidade e vida. Nunca se erradicará uma doença com métodos convencionais, pois a doença não é material em sua origem. Se faz necessário um medicamento que restabeleça o equilíbrio da força vital, cessando assim a vulnerabilidade, agindo na causa e não apenas no efeito. Para cada paciente, uma droga diferente.

Ultrapassamos os 2000, não podemos estar adotando práticas tão grosseiras. Já sabemos pelos modernos estudos da Biodinâmica, que precisamos estabelecer o equilíbrio das forças naturais e não declarar guerra impedindo o surgimento deste mesmo equilíbrio .

Sérgio De-Filippi

Tudo o que existe tem meta impressa

na vida pela qual existe.

Os animais desempenham junto a nós, entre tantas outras, uma função muito peculiar: Recordar-nos habilidades e potencialidades adormecidas, até esquecidas e sepultadas em nossa arrogância humana, de superioridade e prepotência.

O gato, em sua sensualidade e intimidade, nos lembra que precisamos permitir uma conexão mais profunda e íntima com outros seres. Eles, como bons telepatas, procuram nos mostrar a capacidade intuitiva e auto-curativa. Nos ensinam contemplação, paciência e flexibilidade. Sua confiança inata lhe permite compreender seu papel em relação aos outros. Sabedoria.

Encontrar uma coruja pode ser uma oportunidade de conhecer a verdade quando alguém tenta nos enganar, é voar na escuridão para ver algo mais elevado.

Os gaviões, sempre atentos procurando a próxima dica, nos advertem para redobrar a atenção ou indicam um mensageiro por perto.

Os cães, como os lobos, instigam nossa coragem e capacidade de ensinar e reunir os grupos.

Precisamos nos posicionar em igualdade com todos os seres, expandindo assim nossa consciência, para tentar melhorar o ambiente que partilhamos.

Quando vejo um animal sadio, vejo-o pleno, vistoso e ágil, desperto a menor provocação. Seu olhar é atento, seu andar é firme e espontâneo num misto de vigor e graça. Atua segundo sente no cumprimento do seu destino. Qualquer mínima alteração neste estado harmônico leva a quebra da resistência natural às enfermidades e propicia ao adoecimento. É quando sente mais frio do que deveria, ou é mais sensível ao calor e às variações, incomoda-se com a umidade ou com a falta dela, uns têm muita sede, outros, totalmente inapetentes e sem sede, uns bebem muito, quando outros, bem pouco. Notamos que alguns, fogem da luz e do barulho, outros procuram o sol e o ar livre. Uns, quando ameaçados, reagem agredindo, enfrentando, enquanto que outros se escondem ou fogem. Tudo isto nos mostra a individualidade presente em toda a natureza.

Nossa ciência oficial atual, derivada da ciência de guerra, como tal, dominadora, expressão do poder surgida para subjugar ou anular o inimigo, ao qual se teme a possibilidade de lhes ser superior. Por isso, busca as causas no exterior (“inimigo”), onde se justifica o combate. Esquecendo-se que em qualquer combate alguém sempre acaba ferido ou morto.

Mas, apesar do pedestal de prepotência científica, o homem ainda tenta dominar o meio e os semelhantes e vê-se na vivência terrível de combater temíveis enfermidades que se modificam e tornam-se outras “novas” doenças, com novas denominações e causas etiológicas muito convincentemente comprovadas e sacramentadas!

A solução consiste nas terapias agressivas e sistematizadas, desumanizadas e quase sempre desconhecidas de quem usa! Com todos os índices de prevalência, calendários de vacinações, endemias e epidemias, etc. Notamos que a humanidade e todos os seres do planeta estão mais enfermos do que nunca! Inclusive os mais abastados e ricos! O que houve? Porque a medicina se tornou uma expressão de poder do homem, tão sofisticada e cada vez mais doente? Porque se estuda tão bem as enfermidades esquecendo-se do enfermo?

É claro que além das medidas higiênico-sanitárias, eliminação devida de resíduos, produção e distribuição de alimentos mais saudáveis, os tratamentos devem individualizar-se, caso queiramos recuperar nossa morada planetária!

Solidariedade? Ética? Relacionamentos? Afetos? Trabalho? Espiritualidade?

Temos que integrar outro referencial que não seja o combate!

O amor nunca busca o confronto!

A enfermidade não é um inimigo, assim como a dor e o sofrimento, mostra-nos cada vez mais a repetição petulante dos nossos próprios erros! Ela surge no caminho para lembrar-nos o desvio e mostrar-nos como resgatarmos a própria natureza.

Com a necessidade da produção de alimentos mais saudáveis, chamados “orgânicos”, surgiram diversas técnicas para tratar os distúrbios do solo, das plantas e animais de forma atóxica e que não contamine ao ambiente, porém, com princípios que direcionam os tratamentos para o enfoque militar do combate e da luta do “contra”. A conseqüência é que incrementa-se o distúrbio primordial condicionando as supressões e desorganizações neoplásicas tão evidentes e em número crescente de forma assustadora, na atualidade.

A questão é: O que é necessário curar?

O medo de trovões é a projeção da vulnerabilidade e da ilusão de desproteção, como o ciúme é projeção do medo de não ser amado ou não poder desfrutar deste amor! A diarréia surge como expressão da ansiedade, como a tristeza afeta os pulmões. O corpo sempre preserva o mais importante, em detrimento do que é menos nobre: a coceira mental vira prurido na pele. A sensação vira lesão!

E, vem a enfermidade, como um sinal luminoso que nos recorda quem verdadeiramente somos!

Quando pensamos, sentimos e atuamos em uníssono, o organismo cumpre sua função e suas metas, biológicas e divinas. Quando nos afastamos dessas metas, adoecemos, pelo desacordo no pensar e no sentir atuamos no erro e nos desequilibramos de dentro para fora (até o corpo e daí ao ambiente)!

E é aí, no âmago da vitalidade, onde atua a substância dinamizada do medicamento Homeopático ( o mais semelhante ao estado de adoecimento individual em questão), modificando estados de ânimo, reações emocionais e mentais a partir do centro vital do indivíduo de qualquer espécie animal ou vegetal, como um novo nascimento, uma nova visão se clareia em sua frente, como limpar os óculos embaçados, o que dá oportunidade a este ser de optar em seguir sua meta em acordo com seus pensamentos e sentimentos, atuando então em harmonia com relação aos outros e consigo mesmo, ocupando somente o seu lugar na totalidade circundante!

Então, não há porque alergias, deficiências, dificuldades nos partos, inseguranças ou medos. Esta nova visão possibilita atitudes positivas e em benefício de todos, uma unidade de destino no amor!

Os animais não são ‘escravos” ou “propriedades” a serem explorados e massacrados para a satisfação dos apetites pervertidos do homem!

Temos que evidenciar o respeito a vida e aprender com o coelho, que apesar do medo e das ameaças, vai por aí, criativamente fértil e produtivo, construindo seu cauteloso caminho, positivamente, valorizando a família e a comunhão com o ambiente. Ou com o rato que na sua atividade constante e incansável, explora as profundezas mais recônditas da mente em sua inquietude sedenta de fazeres!

Não se justifica o “holocausto” insano dos laboratórios e dos matadouros industriais, criações perversas desta ciência arrogante e da gula desmedida nos lucros do capital!

A vida é cooperação constante onde devemos nos imiscuir nos incríveis processos que ela oferece, buscando a arte da paz expressando a arte do amor em tudo o que se faz, sem ambições, um estado vibrante, uníssono de fusão de pensamentos, sentimentos e ações!

Namasthé!

LuzPazAmor.

Octacilio Domingos de Almeida Filho

Espaço para debates e trocas de experiências – O que pensam alguns profissionais

a) Alimentação (Ração);

b) Prevenção (Vacinas);

c) Felicidade do animal e sua relação com a sanidade;

d) Relacionamento Homem – Animal, amor é respeitar a individualidade;

e) Castração, solução para animais de rua? Corrige ou evita doenças? Solução para animais agressivos?

f) Respeito à sexualidade animal;

g) Geriatria e Eutanásia.

Força Vital, elemento imaterial universal, o virtual da matéria

"O Vitalismo consiste na filosofia que percebe os fenômenos materiais, isto é, todos aqueles visíveis, mensuráveis ou percebidos pelos sentidos ou instrumentos, incluindo aí os fenômenos naturais, como resultado ou resultante de alterações anteriores, no campo da energia, que aí é concebida como um fenômeno natural que precede a formação da matéria."

Raymundo Araujo

A Energia Vital manifesta-se em todos os seres vivos, lhes dando identidade e vida, desde um ser unicelular até o ser humano.

A Homeopatia é um saber médico energético e vitalista, ou seja, uma "medicina energética"; para entendermos esse termo devemos nos concentrar nos conceitos de Flutuação, Fluxo, Vibração, Ritmo, Ressonância que trazem em suas compreensões a idéia de dinamismo, agregando assim o movimento como característica fundamental para uma moderna concepção sistêmica do organismo.

O conceito de "energia vital ou sutil" se refere a um elemento imaterial que determina e descreve padrões dinâmicos de auto-organização, dando forma a tudo que vive. O motor da vida, que anima dinamicamente o "organismo material" mantendo-o em admirável harmonia de sensações e funções, de maneira que o ser possa dispor deste instrumento livre e são para alcançar a sua "meta biológica".

Sérgio De-Filippi